Mais uma vez uma emissora aposta em um produto de sucesso no mundo todo, como um reality show que explora a distorção de valores da alta sociedade, e mais uma vez os jornalistas brasileiros, sempre buscando criticar o entretenimento e sempre reclamando da falta dele na televisão, meteram o malho.
O programa que usa da essencia de “The Real Housewives”, reality show americano de sucesso mundial, traz cinco socialites brasileiras, sendo algumas nem tão ricas assim, porém conhecidas por aqueles mais desocupados que se decidam a ler colunas sociais e revista Caras, vivendo uma vida que, se não de sonhos, melhor que a nossa. Narcisa Tamborindeguy, Val Marchiori, Brunete Fraccaroli, Débora Rodrigues e Lydia Sayeg se venderam a emissora permitindo que fizessem suas caricaturas em um roteiro bem escrito, que vai do engraçado ao exagerado, em um programa que não só funciona como diverte.
Alguns insistem em dizer que a Band trouxe um show de futilidade e ostentação para um publico pobre. Bobeira. Isso é coisa de gente que pensa pequeno. A vida das cinco moças não é muito diferente da vida que estamos acostumados a ver os nossos políticos (!), atrizes e apresentadores de TV levarem. E nem chega a ser tão ofensivo quanto a quantidade de dinheiro gasto pela Globo para produzir um Big Brother que esfrega na cara de nossa população jovens beldades ganhando carros, casas e milhões.
Uma das moças que mais se destacou entre o publico que torceu o nariz para o programa foi a exagerada Val Marchiori. Além de repetir a todo momento seu bordão do “Hello”, ela é a que mais ostenta dinheiro e futilidades, comprando apenas em grifes que nunca estão abaixo dos 8 mil reais e tomando do mais caro champanhe sempre que pode. Sem contar a sua tentativa de comprar um novo jatinho particular – o que não aconteceu, obviamente. O roteirista do programa da Band pecou apenas em um detalhe: não mostrar um ponto de sensibilidade para que o publico compre a patricinha. De mais à mais, o que Val Marchiori faz e fala é quase o mesmo que Paris Hilton fez durante toda a sua existência e muitos acham graça, amam e orgulham-se de chama-la para os camarotes de nossos carnavais e propagandas de cerveja. O problema é um velho conhecido:
Se nas estrangeiras a ostentação soa bela, divertida e é permitida, em solos brasileiros se torna um soco no estômago, dói fundo em muita gente.







Como dizia Joãozinho 30: “O Povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”…huahaha!
Texto genial. Disse tudo e mais um pouco
Muito boa a reflexão do Pablo. Se existe adesão do público às atrações melancólicas como “De volta para minha terra”, por que um pouco da frivolidade cuspida e escarrada haverá de fazer mal?